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Metade das malformações vasculares √© diagnosticada de forma errada

A maioria dos casos de malformação vascular é diagnosticada erroneamente como hemangiomas, que são tumores vasculares da infância.

Por PH em 30/06/2024 às 10:08:33

A maioria dos casos de malformação vascular é diagnosticada erroneamente como hemangiomas, que são tumores vasculares da infância. O diagnóstico errado causa atrasos no tratamento adequado e, às vezes, exposição dos pacientes a medicações e cirurgias desnecess√°rias.

Por isso, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular-Regional São Paulo (Sbacv-SP) alerta sobre a dificuldade, o desafio e a necessidade de uma avaliação correta desses casos, que fazem parte de um grande grupo de doenças subdivido em tumores e malformações vasculares. Estima-se que as malformações vasculares acometam 1% da população e os hemangiomas, de 4% a 5% dos recém-nascidos.

"As anomalias vasculares são pouco abordadas durante as graduações na √°rea da sa√ļde. Portanto, a maioria dos médicos, enfermeiros e fisioterapeutas nunca se deparou com essas doenças e pode ter dificuldade em diagnostic√°-las e classific√°-las adequadamente. Qualquer mancha vis√≠vel com coloração avermelhada ou arroxeada j√° é chamada de hemangioma pelo p√ļblico leigo e, muitas vezes, até por profissionais da sa√ļde. É f√°cil confundir quando não se tem nenhum conhecimento prévio sobre o assunto, mas um olhar mais cuidadoso pode revelar informações importantes para um diagnóstico correto", explicou a cirurgiã vascular e vice-diretora cient√≠fica da Sbacv-SP, Lu√≠sa Ciucci Biagioni.

As duas anomalias t√™m caracter√≠sticas, evolução e tratamento muito diferentes e, por isso, é essencial saber classific√°-las. Enquanto os hemangiomas são tumores benignos mais comuns na infância e proliferam desde as primeiras semanas de vida, com crescimento r√°pido nos primeiros meses e diminuindo sexto ao 12¬ļ m√™s de vida. As malformações vasculares são estruturas malformadas, não tumorais, que se desenvolvem no per√≠odo embrion√°rio e crescem junto com o indiv√≠duo.

"Estima-se que de 5% a 10% dos hemangiomas da infância possam ter complicações como crescimento desproporcional, feridas, sangramento e infecções. A maior parte deles cresce e involui lentamente dos 8 aos 12 meses. Podem deixar uma pequena cicatriz, com ou sem vasinhos residuais. Os hemangiomas cong√™nitos raramente podem evoluir com complicações como inchaço, sangramento, dor local, consumo leve de plaquetas. Na maioria das vezes, não desaparecem espontaneamente e podem necessitar de cirurgias para ressecção", explicou Lu√≠sa.

Segundo a médica, as malformações vasculares são caracterizadas por v√°rios tipos de lesões, desde pequenas manchas capilares até lesões mais extensas que atingem todo o corpo. As malformações menores e mais localizadas, com fluxo lento, como as capilares, linf√°ticas e venosas, são facilmente tratadas e raramente causam complicações. Às vezes, podem estar acompanhadas de outras deformidades, como hipertrofia do membro, alterações musculares e esqueléticas e alterações neurológicas ou oculares. Quando extensas, podem ter complicações como infecção, sangramento, tromboembolismo venoso, preju√≠zo na locomoção e dor crônica.

No caso dos hemangiomas, as lesões são abauladas, com coloração rosa ou avermelhada (aspecto de morango), apresentando vasos finos na superf√≠cie e, às vezes, um c√≠rculo p√°lido ao redor. Eles acometem principalmente meninas, em uma proporção de quatro para um, sendo mais frequentes na região da face e do tronco. Os mais extensos podem deixar cicatrizes esbranquiçadas na pele e vasinhos superficiais. A maioria dos pacientes com hemangioma infantil não desenvolve comprometimentos significativos. Apenas uma pequena parte apresenta problemas como √ļlceras, sangramentos ou infecções. As lesões próximas ao olho ou nas p√°lpebras, ponta do nariz e região genital podem apresentar maior taxa de complicações, como preju√≠zo no desenvolvimento das estruturas locais e ulcerações.

"O diagnóstico correto é fundamental para que a fam√≠lia e o paciente comecem a compreender a condição e para que o médico possa traçar um planejamento adequado de tratamento, que pode variar da observação cl√≠nica até uma intervenção com cirurgia ou embolizações. Muitos pacientes são submetidos a tratamentos inadequados. Às vezes, h√° sequelas e complicações graves, como sangramentos e lesão de estruturas saud√°veis, como nervos e m√ļsculos," esclareceu a especialista.

Causas e tratamento

A médica explicou que a maior parte das malformações vasculares é causada por uma mutação nos genes que regulam a comunicação no interior da célula e o desenvolvimento de vasos sangu√≠neos e ou linf√°ticos. A mutação acontece por volta da quarta semana de vida do embrião e não é herdada dos pais, com apenas 5% das malformações sendo causadas por herança familiar.

J√° os hemangiomas da infância não t√™m uma causa exata descrita na literatura médica, mas algumas teorias tentam explicar seu surgimento, como migração de células placent√°rias para o feto e migração de células endoteliais progenitoras após situações de estresse com baixa oxigenação.

De acordo com Lu√≠sa, os tratamentos são feitos de acordo com o tipo de lesão e os sintomas apresentados pelos pacientes, com o uso de medicações espec√≠ficas para controle do crescimento dos hemangiomas da infância e uso de laser nos casos de lesão residual. Para as malformações, o tratamento podem ser com embolizações, cirurgias, medicações espec√≠ficas para o controle de complicações, fisioterapia e uso de terapia compressiva para reduzir o edema e a dor, entre outros procedimentos.

Lu√≠sa Biagioni informou que, após avaliação cl√≠nica e exames complementares, as prioridades de tratamento são definidas em conjunto com a fam√≠lia e o paciente. "Para algumas condições, optamos apenas pelo acompanhamento cl√≠nico, enquanto para outras usamos terapias com medicamentos analgésicos, anticoagulantes ou terapias espec√≠ficas. Lesões menos graves podem ser tratadas por cirurgiões especializados em problemas vasculares. J√° para malformações vasculares como venosas, linf√°ticas ou arteriovenosas, podemos recorrer a tratamentos percutâneos ou endovasculares."

Fonte: Agência Brasil

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