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Mais de 10% dos brasileiros vivem com diabetes

O diabetes atinge 10,2% da população brasileira, conforme dados da pesquisa Vigitel Brasil 2023 (Vigil√Ęncia de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico).

Por PH em 15/11/2023 às 08:23:33

Daniel Kendler ressalta que a menopausa pode aumentar chances de desenvolvimento da doença - Arquivo pessoal

"Mais da metade das fam√≠lias brasileiras t√™m mulheres como a principal provedora financeira. Cada vez mais, as mulheres não t√™m tempo para ter uma dieta adequada, comem qualquer coisa, não t√™m tempo para fazer uma atividade f√≠sica, o que faz com que o diabetes acometa cada vez mais este p√ļblico." O especialista ainda lembra que a menopausa, com a redução de produção do hormônio estrog√™nio, pode representar uma chance aumentada de desenvolvimento da doença nas mulheres.

Idade e escolaridade

A pesquisa Vigitel Brasil 2023 identificou ainda que o diagnóstico de diabetes na população adulta residente nas capitais brasileiras aumenta, conforme o avanço da idade dos entrevistados, e com o n√≠vel de escolaridade. Entre quem tem mais de 65 anos, 30,3% t√™m diabetes. E quando considerados os anos de estudo, aqueles com a menor escolaridade (entre 0 a 8 anos), apresentam o maior percentual de diabetes (19,4%).

O Brasil é o quinto pa√≠s em incid√™ncia de diabetes no mundo, com 16,8 milhões de doentes adultos (20 a 79 anos), ficando atr√°s apenas ea China, √ćndia, Estados Unidos e Paquistão. Porém. a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) estima que o Brasil possa subir para quarta posição neste ranking.

No pa√≠s, cerca de 90% dos diabéticos brasileiros são do tipo 2, quando o corpo desenvolve resist√™ncia aos efeitos da insulina e pode ter causas heredit√°rias ou ligadas a h√°bitos de vida. A Sociedade Brasileira de Diabetes estima que mais de 46% da população não sabem que t√™m a doença.

Dia Mundial de Diabetes

Em todo o planeta, o diabetes afeta cerca de 537 milhões de pessoas. Para chamar a atenção de toda a população e de profissionais de sa√ļde sobre a import√Ęncia da prevenção, do diagnóstico precoce e do controle adequado da doença, a Organização Mundial de Sa√ļde (OMS) celebra o Dia Mundial do Diabetes neste 14 de novembro. A data homenageia o anivers√°rio do cientista Frederick Banting que, junto com Charles Best, descobriu a insulina como um tratamento para diabetes, em 1921.

Em 2023, o tema da data mundial é Educação para Proteger o Futuro, com o objetivo de melhorar o acesso à educação de qualidade sobre a doença a profissionais de sa√ļde e pessoas com diabetes mellitus.

O endocrinologista Daniel Kendler endossa a necessidade de acesso ao tratamento de qualidade. Ele explica que o tratamento de uma doença crônica dura a vida inteira e que h√° um custo elevado para banc√°-lo, com o monitoramento, compra de medicamentos, manutenção de dieta controlada e variada, realização de atividades f√≠sicas e acesso a profissionais de sa√ļde, entre outros.

"É importante que cada paciente saiba que tem o direito de ter acesso aos medicamentos via SUS [Sistema √önico de Sa√ļde]. Nas unidades b√°sicas de sa√ļde, que tratam de 70-80% das pessoas com diabetes, o paciente poder√° se informar e exigir, não apenas o acesso aos medicamentos, mas também aos insumos, que são a fita e o aparelho de medir a glicose, a caneta apropriada e as agulhas para aplicar a insulina. Tudo isso tem previsão legal de direito dos pacientes."

O Brasil se une à mobilização mundial desta terça-feira (14) com a campanha Novembro Diabetes Azul [ www.novembrodiabetesazul.com.br/ ], da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), durante todo o m√™s. A entidade adotou o C√≠rculo Azul, s√≠mbolo de apoio à data, e tem programadas diversas atividades pelo pa√≠s dentro da campanha de conscientização sobre a doença, como corridas, ações educativas, lives para tirar d√ļvidas do p√ļblico e realização de mutirões de medição de glicose

Diagnóstico

O presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Levimar Ara√ļjo, também portador de diabetes tipo 1, destaca que o primeiro passo para cuidar bem do diabetes é o diagnóstico precoce. "A gente precisa alertar a população que pessoas que t√™m uma cintura abdominal aumentada, pessoas com parentes com diabetes, aquelas gestantes, que j√° tiveram crianças com mais de quatro quilos, todas elas são pessoas que precisam ser mais valorizadas em relação à questão do exame."

"Mesmo o diagnóstico de pré-diabetes é extremamente importante, porque a pessoa j√° pode desenvolver complicações referentes ao diabetes", alerta o presidente da SBD.

A Sociedade Brasileira de Diabetes disponibiliza uma calculadora virtual de risco de diabetes. Por meio de perguntas, a ferramenta permite ao internauta identificar se est√° em um grupo de alto risco de desenvolver diabetes tipo 2 nos próximos dez anos e se é recomendado j√° procurar aux√≠lio médico e fazer o exame de sangue para checar a glicemia no sangue.

Tipos

O diabetes é uma doença crônica caracterizada pela produção ineficiente ou resist√™ncia à ação da insulina, o hormônio produzido pelo p√Ęncreas, que controla a quantidade de glicose no sangue para fornecer energia ao corpo humano. A s√≠ndrome metabólica pode ter diferentes origens.

O diabetes de tipo 1 ocorre pela destruição autoimune das células do p√Ęncreas produtoras de insulina, de forma permanente. O diagnóstico acontece, em geral, na inf√Ęncia ou adolesc√™ncia e não est√° ligado a fatores heredit√°rios.

No do tipo 2, a alta concentração de aç√ļcar no sangue é explicada pela resist√™ncia do corpo humano aos efeitos da insulina ou pelo estilo de vida, com sedentarismo, obesidade e outros fatores. A ocorr√™ncia deste tipo de diabetes pode ser influenciada pela hereditariedade.

H√° também o diabetes gestacional, com a ocorr√™ncia exclusiva durante a gestação e que é justificada pelo aumento da resist√™ncia à insulina causada pelos hormônios gestacionais. Para rastreio e diagnóstico correto, o Ministério da Sa√ļde recomenda que as gestantes devem ser testadas entre a 24¬™ e a 28¬™ semana de gravidez.

Complicações

O cuidado com o diabetes requer o controle estrito dos n√≠veis de glicose pela alimentação saud√°vel, medicação, quando prescrita ou pelo uso da insulina produzida em laboratório. O controle inadequado da glicemia pode resultar em v√°rias complicações, que podem piorar gradualmente a qualidade de vida.

As principais complicações afetam, sobretudo:

-os olhos, provocando a retinopatia diabética e até a cegueira;

-os rins, levando o paciente à insufici√™ncia renal crônica, com a necessidade de realização de di√°lise;

-os nervos de extremidades (neuropatia periférica), principalmente dos pés, mas também das mãos, que podem resultar em amputações de dedos e membros; [ https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2023-11/diabetes-e-responsavel-por-mais-de-28-amputacoes-por-dia-no-brasil ]

-doenças cardiovasculares, como infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC);

Em gestantes, o diabetes pode provocar complicações nos beb√™s, como hipoglicemia (glicose baixa) neonatal; nascimento de crianças excessivamente grandes, partos prematuros, defici√™ncia de ferro, alterações de funções como a cardiorrespiratória, entre outras.

Criança

Enzo Rafael aprende a lidar com as canetas de aplicação de insulina - Arquivo pessoal

A técnica em hemoterapia do Hospital da Criança de Bras√≠lia José Alencar, em Bras√≠lia, Luanna Gomes, descobriu h√° tr√™s anos, no auge da pandemia do covid-19, que o filho Enzo Rafael Gomes Mangabeira, de 7 anos, tem diabetes do tipo 1.

"A gente notou que o Enzo tinha voltado a urinar muito na cama, o que não era comum, porque ele j√° tinha deixado as fraldas. Então, ele passou a ficar muito cansado. Onde ele deitava, dormia. Mas um dia meu filho realmente passou mal. A gente foi às pressas ao hospital e veio o diagnóstico de diabetes tipo 1. Ele ficou 26 dias internado no hospital".

A mãe confessa que, no momento inicial, se afligiu com o diagnóstico, "Lembro-me que, no começo, deu aquele desespero, aquela ang√ļstia, aquele sentimento de não saber o que fazer com meu filho que teve o diagnóstico de uma doença autoimune, que, infelizmente, ainda não tem cura." Desde então, a fam√≠lia j√° enfrentou desafios como ter que entrar na justiça para garantir a vaga de estudo do filho, porque a escola não o aceitava por desconhecer sobre como lidar com a doença e as crises de hipoglicemia.

Atualmente, Enzo Rafael tem a supervisão da mãe na hora de colocar as dosagens certas dos dois tipos de insulina nas canetas de autoaplicação, que a criança precisa usar antes das refeições.

Luanna Gomes diz que além de preparar o filho para lidar com as frustrações por ser o √ļnico da turma escolar com a doença; ela também trabalha a educação para diabetes de quem cerca o menino. "O diabetes tem que ser debatido e explicado. Tem que ter educação sobre a doença nas escolas. A população em geral, desde criança até os adultos, devem saber o que é o diabetes".

Assistência do SUS

Do total de diabéticos no Brasil, pelo menos 6,5 milhões necessitam do uso de insulina no tratamento para controle adequado da glicemia.

O Ministério da Sa√ļde afirmou à Ag√™ncia Brasil, por meio de nota, que oferece seis medicamentos gratuitamente aos usu√°rios do SUS, todos financiados com recursos federais e liberados nas farm√°cias credenciadas. São eles: as insulinas humanas NPH – suspensão injet√°vel 1 e insulina humana regular, além de outros tr√™s medicamentos que ajudam a controlar o √≠ndice de glicose no sangue: Glibenclamida, Metformida e Glicazida.

A distribuição de medicamentos gratuitos ocorre pelo programa Aqui Tem Farm√°cia Popular, parceria do Ministério da Sa√ļde com mais de 34 mil farm√°cias privadas em todo o pa√≠s.

Informações atualizadas sobre os estabelecimentos credenciados ao Aqui Tem Farm√°cia Popular podem ser obtidas pelo Disque-Sa√ļde (0800-61-1997) ou no site do programa.

O Ministério informou também que reestruturou a rede de atenção prim√°ria à sa√ļde, onde pacientes podem fazer o monitoramento da glicemia com os reagentes e seringas dispon√≠veis.

Futuro

No Congresso Nacional, a Comissão de Sa√ļde da C√Ęmara dos Deputados aprovou em outubro deste ano o Projeto de Lei 2687/22, que classificar√° o diabetes tipo 1 (autoimune) como defici√™ncia f√≠sica para efeitos legais.

O PL de autoria dos deputados Fl√°via Morais (PDT-GO) e Dr. Zacharias Calil (União-GO), pretende garantir o atendimento adequado nas escolas a estudantes com diabetes. O projeto ainda ser√° analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da casa.

"Isso é extremamente importante porque a gente vai conseguir mais escolas, atendimento especializado, com uma merenda especial para o portador de diabetes. Nós vamos garantir os insumos para todos os pacientes com diabetes, no pa√≠s", prev√™ o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Levimar Ara√ļjo.

Fonte: Agência Brasil

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