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Universidades amazônicas vão estudar contaminação por merc√ļrio

Grupos de pesquisa de sete universidades da Amazônia se uniram para criar o Instituto Amazônico do Mercúrio (Iamer) com o objetivo de agregar esforços no estudo sobre a contaminação do metal na região.

Por PH em 21/05/2024 às 14:11:07
Divulgação

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Grupos de pesquisa de sete universidades da Amazônia se uniram para criar o Instituto Amazônico do Merc√ļrio (Iamer) com o objetivo de agregar esforços no estudo sobre a contaminação do metal na região. A ideia é produzir pesquisa cient√≠fica, treinamento profissional e engajamento comunit√°rio para enfrentar o problema, que afeta o meio ambiente e a sa√ļde p√ļblica das comunidades.

O instituto envolve pesquisadores das universidades federais do Par√° (UFPA), do Oeste do Par√° (Ufopa), do Amap√° (Unifap) e de Rondônia (Unir), além da Universidade de Gurupi, no Tocantins (UnirG) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

"As ações do Iamer v√™m facilitar o trabalho que est√° sendo realizado por muitos grupos da Amazônia, porque traz visibilidade e capacidade de articulação na hora de conseguir recursos. Vai melhorar o desempenho do gasto p√ļblico para essas ações. A ideia é nos apoiarmos, uns aos outros, aqui na Amazônia", explica a coordenadora do Iamer, Maria Elena Crespo López, que também é professora da UFPA.

O merc√ļrio é um metal que, em temperatura ambiente, apresenta forma l√≠quida e que é usado na mineração, para separar o ouro de minerais sem valor comercial. Nesse processo, o merc√ļrio acaba se espalhando pela √°gua, pelo solo e pela atmosfera (uma vez que ele também se volatiliza, no processo de sua separação do ouro).

Isso gera não apenas a poluição do ambiente, como contamina as plantas, os peixes e, consequentemente, as pessoas que os consomem.

Uma das primeiras propostas do instituto é criar pelo menos um polo de testagem de contaminação de pessoas por merc√ļrio em cada estado amazônico. Outra proposta é reunir dados confi√°veis e realistas para embasar pol√≠ticas p√ļblicas com efeitos duradouros na Amazônia, como a aprovação do Projeto de Lei 1011/2023, que tramita no Senado e que visa estabelecer a Pol√≠tica Nacional de Prevenção da Exposição ao Merc√ļrio no Brasil.

"O impacto do merc√ļrio para a população amazônica vai muito além dos problemas neurológicos nos casos de intoxicação aguda. Mas o grande problema é que, mesmo em quantidades baixas, quando a pessoa est√° exposta continuamente, ele começa a afetar o coração, a aprendizagem das crianças e também h√° o gasto com a previd√™ncia social".

Maria Elena alerta, no entanto, que o problema extrapola as fronteiras amazônicas, j√° que uma vez na √°gua e na atmosfera, o merc√ļrio pode percorrer grandes distâncias. "A ci√™ncia j√° demonstrou que o merc√ļrio gerado na América do Sul - 80% dele é originado da Amazônia - chega a regiões tão distantes como o Ártico. Se o merc√ļrio gerado na Amazônia est√° chegando ao Ártico, ele est√° conseguindo chegar em todo o Brasil".

Além disso, produtos aliment√≠cios contaminados por merc√ļrio podem ser comercializados em outros locais. O Iamer começa a funcionar nesta terça-feira (21) e conta com os apoios da organização não governamental WWF-Brasil e do Ministério da Justiça.

Fonte: Agência Brasil

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