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Saiba como o calor excessivo altera metabolismo do corpo

As mudanças bruscas de temperatura verificadas nos últimos dias no país alteram muito o metabolismo do corpo humano.

Por PH em 14/11/2023 às 08:37:33

As mudanças bruscas de temperatura verificadas nos √ļltimos dias no pa√≠s alteram muito o metabolismo do corpo humano. O calor excessivo pode levar à desidratação e provocar queimaduras solares, se a pessoa estiver sem proteção, alertou nesta segunda-feira (13) a médica Marcela Benez, coordenadora do Departamento de Cirurgia e Oncologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio de Janeiro (SBD-RJ).

As queimaduras podem ocorrer em quem est√° exposto diretamente ao sol na face e onde a roupa não cobre. "É importante sempre fazer uso de filtro solar antes de sair de casa, usar roupas mais frescas e fazer reposição de √°gua e outros meios de hidratação ao longo do dia", disse Marcela, em entrevista à Ag√™ncia Brasil.

Sobre o c√Ęncer de pele, a médica explicou que ele aparece com o ac√ļmulo de fotoexposição ao longo da vida e devido a queimaduras solares. Segundo Marcela, a queimadura feita na inf√Ęncia vai gerando alteração no DNA da célula, e isso vai se acumulando ao longo da vida. "É uma exposição mais prolongada. Não é de imediato, mas v√°rias exposições podem ser fator de risco." Com a exposição prolongada ao sol, o c√Ęncer de pele pode começar a surgir no adulto jovem e na pessoa idosa. "Tem pessoas com 30 e poucos anos e até com 20 e poucos anos com c√Ęncer de pele, resultado de grande exposição ao sol desde crianças. A queimadura solar que faz eritemas e bolhas na pele vai gerando isso no futuro, na idade mais adulta."

Algumas doenças podem ser agravadas pelas temperaturas elevadas, especialmente as fotossensibilizantes, como l√ļpus e a dermatomiosite, que são autoimunes. "São agravadas diretamente pelo sol e pelo calor". Também a dermatite atópica (doença crônica e heredit√°ria que causa inflamação da pele, levando ao aparecimento de lesões e coceira) pode ficar um pouco descontrolada.

A dermatologista recomendou que as pessoas, diante dessas temperaturas elevadas, façam a fotoproteção, que inclui o uso de chapéus, barracas na praia e piscina, roupas com fator UV de proteção, além do filtro solar, que deve ser passado na pele ainda em casa, antes da exposição ao sol, e reaplicado, em média, duas ou tr√™s horas depois, que é o tempo de duração na pele. "Com o suor, ou quando a pessoa se molha na piscina ou na praia, o protetor deve ser reaplicado."

Botando para fora

A endocrinologista Ana Cristina Belsito, do Hospital São Vicente de Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, enfatizou que, nos casos de calor excessivo, é preciso botar para fora o calor. "A sudorese aumenta nesse per√≠odo, a pessoa começa a suar mais, e o sódio tende a cair. Os n√≠veis tensionais [n√≠veis de pressão arterial] também caem com isso", disse Ana Cristina à Ag√™ncia Brasil.

Outra coisa importante é a possibilidade de deterioração dos alimentos. "Muitas vezes, a conservação dos alimentos não é tão bem-feita nos locais onde se fazem refeições, e isso aumenta o risco de infecções intestinais, como diarreia, que fazem com que as pessoas tenham outros problemas de desidratação."

Além disso, Ana Cristina reiterou a necessidade de tomar cuidado com as roupas. "As vestimentas t√™m de ser mais frescas, para eliminar calor, porque nosso organismo fica muito aquecido. E as comidas t√™m que ser leves, frescas. Importante a hidratação e a proteção solar também, contra a radiação ultravioleta intensa e queimadura de pele."

A médica reforçou que as pessoas devem se hidratar bem nesse per√≠odo de calor excessivo e evitar se expor nos hor√°rios de pico, desempenhando suas atividades em hor√°rios de temperatura mais amena. "Os sinais que a falta de √°gua no organismo pode gerar incluem prostração, desidratação, dor de cabeça [cefaleia], boca seca, desorientação. "São sinais que alertam que o organismo não est√° bem."

Os hipertensas, que costumam usar diuréticos com frequ√™ncia, devem ficar atentos. O excesso de medicação, quando a pessoa é submetida a uma carga maior de temperatura, faz com que ela perca √°gua. Com essa perda, pode haver um desequil√≠brio hidroeletrol√≠tico e, junto com a sudorese, isso pode fazer com que a pressão caia muito, mais do que o normal. Ana Cristina alertou que esse quadro pode levar à desorientação, desidratação e prostração, além de gerar alterações renais devido ao menor aporte de √°gua. A desorientação é o sintoma mais frequente.

Caso a pessoa tenha esses sintomas, a recomendação é procurar um serviço de emerg√™ncia, pronto atendimento, para fazer os exames necess√°rios como sódio, pot√°ssio, ureia, creatinina, hemograma. Se necess√°rio for, deve ainda medir a pressão. Feitos os exames de urg√™ncia, o indiv√≠duo é encaminhado ao médico especializado na √°rea do problema que estiver apresentando.

Doenças cardiovasculares

O coordenador assistencial do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), Alexandre Rouge, ressaltou que, quando se fala de aumento da temperatura, é preciso entender duas coisas: uma é o aquecimento global, que, no longo prazo, pode estar relacionado ao aumento progressivo das doenças cardiovasculares. J√° h√°, inclusive, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrando isso, disse Rouge.

Nos meses mais quentes do ano, o aumento da temperatura, somado à redução da umidade do ar, também aumenta os eventos cardiovasculares. "Para tentar compensar o calor, a gente dilata os vasos e, fazendo isso, tem quedas de pressão e aumento de frequ√™ncia card√≠aca, o que favorece o consumo do coração. Aumenta-se o consumo do coração por oxig√™nio, e isso pode levar à instabilidade de uma doença que esteja ali quietinha", destacou.

Rouge lembrou que a pessoa sua mais e, a√≠, acaba se desidratando e perdendo os eletrólitos do sangue (sódio, pot√°ssio), tem menos volume de sangue no organismo, o que também facilita a queda de pressão e o aparecimento de eventos cardiovasculares. "O suor e a queda desses sais favorecem o aparecimento de arritmias, principalmente nos idosos. Então, o aumento da temperatura favorece tanto eventos isqu√™micos do coração, que são as anginas e infartos, como eventos de arritmia."

Hidratação o tempo todo é o principal cuidado para evitar problemas card√≠acos nos per√≠odos de altas temperaturas. Se poss√≠vel, a pessoa deve andar com uma garrafinha de √°gua, para não se esquecer da hidratação e evitar atividades f√≠sicas nos momentos de maior calor. "Não é para parar a atividade f√≠sica, porque isso também seria ruim, mas não fazer nos hor√°rios de pico de calor." Quando estiver em √°reas expostas ao sol, a pessoa deve buscar sempre um local mais fresco, ao longo do dia, se poss√≠vel, ambientes refrigerados, como dar uma passada em uma galeria ou shopping center onde possa passar algumas horas em ambiente mais refrigerado, fugindo da onda de calor, acrescentou o cardiologista.

De acordo Rouge, do ponto de vista do coração, a pessoa precisa estar sempre alerta – como deve ser durante todo o ano – para sintomas como dor no peito, desmaios, palpitações. Não h√°, porém, nenhuma recomendação de exame extra a ser feito. "Só estar atento aos sintomas." E procurar o médico, se os sintomas persistirem, a orientação é procurar o médico.

Fonte: Agência Brasil

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