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Falta de saneamento b√°sico causa mais de 273 mil interna√ß√Ķes em 2019

No Brasil, a falta de saneamento básico sobrecarregou o sistema de saúde com 273.403 internações por doenças de veiculação...

Por Valter Manoel Da Cruz Manoel em 05/10/2021 às 10:15:56
Foto : Divulgação

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No Brasil, a falta de saneamento b√°sico sobrecarregou o sistema de sa√ļde com 273.403 interna√ß√Ķes por doen√ßas de veicula√ß√£o h√≠drica em 2019, um aumento de 30 mil hospitaliza√ß√Ķes na compara√ß√£o com ano anterior, além de 2.734 mortes. A incid√™ncia de interna√ß√Ķes foi de 13,01 casos por 10 mil habitantes, o que gerou gastos de R$ 108 milh√Ķes ao pa√≠s naquele ano.

Os resultados s√£o do estudo Saneamento e Doen√ßas de Veicula√ß√£o H√≠drica – ano base 2019, do Instituto Trata Brasil, divulgado nesta ter√ßa-feira (5). O estudo foi feito a partir de dados p√ļblicos do Sistema Nacional de Informa√ß√Ķes sobre Saneamento (SNIS) e o Datasus, portal do Ministério da Sa√ļde que acompanha os registros de interna√ß√Ķes, óbitos e outras ocorr√™ncias relacionadas à sa√ļde da popula√ß√£o.

No mesmo ano, a falta de acesso à √°gua tratada e ao esgotamento sanit√°rio levaram a 2.734 mortes, uma média de 7,4 mortes por dia. No Nordeste, as mortes ultrapassaram mil casos; no Sudeste, 907; no Sul, 331; no Norte, foram 214; e, no Centro-Oeste, 213 óbitos registrados. Entre as doen√ßas de veicula√ß√£o h√≠drica, est√£o as diarreicas, dengue, leptospirose, esquistossomose e mal√°ria.

Além do atual desafio de sa√ļde p√ļblica no pa√≠s devido à pandemia de covid-19, o Trata Brasil mostra que h√° ainda o desafio histórico da falta de saneamento b√°sico, que acaba levando pessoas aos hospitais diariamente. Segundo dados de 2019, quase 35 milh√Ķes de pessoas vivem em locais sem acesso à √°gua tratada, 100 milh√Ķes de pessoas sem acesso à coleta de esgoto e somente 49% dos esgotos no pa√≠s s√£o tratados.

As mais de 273 mil interna√ß√Ķes por doen√ßas de veicula√ß√£o h√≠drica resultaram em um custo de R$ 108 milh√Ķes ao pa√≠s em 2019. A regi√£o Nordeste, que em n√ļmeros gerais registrou mais interna√ß√Ķes, teve a maior despesa com esse tipo de interna√ß√£o - R$ 42,9 milh√Ķes. Na sequ√™ncia, o Sudeste teve R$ 27,8 milh√Ķes com gastos desse tipo, contra R$ 15,2 milh√Ķes do Norte, R$ 11,7 milh√Ķes do Sul e R$ 10,2 milh√Ķes do Centro-Oeste.

Para o Trata Brasil, o estudo destaca a relev√Ęncia de se acelerar a agenda do saneamento b√°sico com mais investimentos, para que mais pessoas recebam os servi√ßos.

"Os dados deixam claro que qualquer melhoria no acesso da popula√ß√£o à √°gua pot√°vel, coleta e tratamento de esgotos traz grandes ganhos à sa√ļde p√ļblica. Por outro lado, o n√£o avan√ßo faz perpetuar essas doen√ßas e mortes de brasileiros por n√£o contar com a infraestrutura mais elementar. S√£o hospitaliza√ß√Ķes que poderiam estar sendo destinadas a doen√ßas mais complexas", afirmou o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos.

Com isso, o instituto afirma que as pessoas seriam mais saud√°veis, e o Brasil trabalharia para cumprir o sexto Objetivo do Desenvolvimento Sustent√°vel, firmado pela ONU, de universalizar o acesso à √°gua e aos servi√ßos de esgotamento sanit√°rio, além das metas do novo Marco Legal do Saneamento, Lei 14.026 de 2020 que estipula o prazo até 2033 para 99% da popula√ß√£o ter acesso à √°gua tratada e 90% à coleta dos esgotos.

Regi√Ķes

O estudo concluiu que as interna√ß√Ķes por doen√ßas causadas pela falta de saneamento se distribuem pelo pa√≠s, refletindo as condi√ß√Ķes sanit√°rias de cada regi√£o, e que a aus√™ncia dessa infraestrutura é mais evidente na Regi√£o Norte. L√°, apenas 12% da popula√ß√£o tem coleta de esgotos e houve 42,3 mil interna√ß√Ķes por doen√ßas de veicula√ß√£o h√≠drica em 2019. De todo volume de esgoto gerado na regi√£o – incluindo aquele coletado e o que n√£o é coletado – somente 22% s√£o tratados.

Em seguida, vem o Nordeste, onde somente 28% da popula√ß√£o tem coleta de esgotos e o tratamento chega só a 33% do volume total de esgoto gerado. A regi√£o teve o maior n√ļmero de hospitaliza√ß√Ķes, um total de 113,7 mil.

O Sul foi a terceira pior regi√£o no que diz respeito ao saneamento, com 46,3% da popula√ß√£o tendo acesso à coleta dos esgotos e 47% do esgoto gerado sendo tratado. No Centro-Oeste, 57,7% da popula√ß√£o conta com coleta dos esgotos e h√° 56,8% de tratamento do volume de esgoto gerado. Essas duas regi√Ķes registram 27,7 mil interna√ß√Ķes cada.

J√° o Sudeste apresentou os melhores indicadores, com 79,2% da popula√ß√£o com coleta de esgotos, com 55,5% do total de esgoto gerado sendo tratado. Na regi√£o, houve 61,7 mil interna√ß√Ķes por doen√ßas de veicula√ß√£o h√≠drica.

Apesar de o Sudeste apresentar n√ļmeros de interna√ß√£o maiores que o Norte, ele tem sete vezes mais habitantes. Portanto, para uma compara√ß√£o entre bases iguais, o estudo calculou a incid√™ncia de interna√ß√Ķes por 10 mil habitantes. Com isso, observou-se que os estados do Norte e Nordeste concentram os maiores problemas com rela√ß√£o a hospitaliza√ß√Ķes.

Levando em conta a taxa de incid√™ncia por 10 mil habitantes, s√£o 22,9 interna√ß√Ķes no Norte; 19,9 no Nordeste; 17,2 no Centro-Oeste; 9,26 no Sul; e 6,99 no Sudeste.

As interna√ß√Ķes desse tipo, de crian√ßas de zero a quatro anos, correspondem a 30% do valor total, com 81,9 mil interna√ß√Ķes em 2019, sendo 35,2 mil no Nordeste, 17,6 mil no Norte, 15,6 mil no Sudeste, 6,78 no Sul e 6,7 no Centro-Oeste. No mesmo ano, ocorreram 124 mortes de crian√ßas nessa faixa et√°ria, sendo 54 delas no Nordeste, seguido do Norte com 41, Sudeste com 14, Centro-Oeste com 12 e o Sul com apenas tr√™s.

Estados

Em n√ļmeros absolutos, o Amap√° aparece como a unidade da Federa√ß√£o com menos interna√ß√Ķes por doen√ßas de veicula√ß√£o h√≠drica em 2019, com 861, contra 38,2 mil no Maranh√£o, que teve o maior n√ļmero de interna√ß√Ķes. Ultrapassam a marca de 20 mil interna√ß√Ķes gerais por doen√ßas de veicula√ß√£o h√≠drica os estados de Bahia (23,3 mil), de Minas Gerais (24,7 mil), S√£o Paulo (26 mil) e do Par√° (28 mil).

Em rela√ß√£o à taxa de interna√ß√Ķes por 10 mil habitantes, o Maranh√£o se mantém como o estado com maiores casos, com 54,4 internados a cada 10 mil, seguido de Par√° com 32,62, e Piau√≠ com 29,64. O estado do Rio de Janeiro teve a menor taxa de interna√ß√Ķes por 10 mil habitantes, com 2,84, seguido por S√£o Paulo com 5,67 e o Rio Grande do Sul com 7,14.

Série histórica

O estudo revelou que, de 2010 a 2019, o pa√≠s registrou queda nas interna√ß√Ķes por doen√ßas de veicula√ß√£o h√≠drica, passando de 603,6 mil para 273,4 mil. No entanto, houve aumento de cerca de 30 mil interna√ß√Ķes de 2018 para 2019.

Segundo avalia√ß√£o da entidade, os resultados mostram que, mesmo distante do ideal, a expans√£o do saneamento ao longo dos anos, com a amplia√ß√£o das √°reas de cobertura com √°gua tratada e coleta de esgoto, trouxe ganhos à sa√ļde, permitido a redu√ß√£o das doen√ßas e das mortes por veicula√ß√£o h√≠drica. Isso porque, em 2010, 54,6% da popula√ß√£o n√£o tinha coleta dos esgotos, enquanto nove anos depois, a popula√ß√£o sem acesso foi reduzida a 45,9%.

No mesmo per√≠odo, houve também queda no n√ļmero de interna√ß√Ķes de crian√ßas de zero a quatro anos, passando de 200,6 mil em 2010 e para 81,9 mil em 2019.

Dados na pandemia

Sobre a rela√ß√£o entre saneamento e doen√ßas em 2020, o Trata Brasil informou que dados preliminares mostram que o pa√≠s teve 174 mil interna√ß√Ķes por doen√ßas de veicula√ß√£o h√≠drica, o que representaria uma redu√ß√£o de 35% em rela√ß√£o a 2019. No entanto, a entidade explicou que os dados precisam ser analisados pelas institui√ß√Ķes médicas, j√° que a queda pode estar relacionada ao afastamento das pessoas dos hospitais por medo de contamina√ß√£o por covid-19.

As mortes por doen√ßas de veicula√ß√£o h√≠drica em 2020 foram estimadas em 1,9 mil, o que também representaria uma redu√ß√£o entre 30% e 35% na compara√ß√£o com o ano anterior.

Fonte: Agência Brasil

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