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Maior que Portugal: mapa mostra imensidão do Pantanal em MS e desafios de log√≠stica no bioma

Por PH em 09/07/2024 às 07:46:46
Escola pantaneira só é acessível com barco e só possui energia graças a placas fotovoltaicas; telecomunicação também só é possível de ser feita via satélite

Escola pantaneira só é acessível com barco e só possui energia graças a placas fotovoltaicas; telecomunicação também só é possível de ser feita via satélite

Com um território maior que Portugal, o Pantanal sul-mato-grossense ocupa 27% de todo o Estado de Mato Grosso do Sul, com aproximadamente 98 mil km¬≤ de extensão - contra 92 mil km¬≤ de Portugal. Se comparado a outros países, a diferença fica maior ainda, com a porção do bioma em Mato Grosso do Sul equivalente a tr√™s Bélgicas - nação sede do parlamento europeu e que tem pouco mais de 30 mil km¬≤ de extensão.

O bioma se mostra desafiador diante de tais comparações, que levam em consideração apenas a porção sul-mato-grossense - o vizinho Mato Grosso possui os outros 35% do território pantaneiro. E como j√° dito, as dimensões do Pantanal exigem desafios à altura, como bem sabem o homem e a mulher pantaneira, que atravessam a região por horas de barco.

De Corumb√°, a cidade mais ao oeste do Estado e que faz fronteira com a Bolívia, uma viagem de barco para a Serra do Amolar, mais ao norte e ainda no Mato Grosso do Sul, pode durar mais de cinco horas para superar 290 km. Localizada no noroeste do Estado, a Serra do Amolar é um dos locais mais isolados, mas não é o único no Pantanal.

O nordeste do bioma também é uma √°rea de difícil acesso, tanto que no trabalho de combate aos inc√™ndios florestais foi ali que a maioria das 13 bases avançadas do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul foram instaladas, em fazendas particulares ou em √°reas e unidades de conservação pública ou privada - 70% do Pantanal sul-mato-grossense est√° em √°reas privativas.

Os desafios nesta época de escassez hídrica exige o esforço incans√°vel dos combatentes contra o fogo. Desde abril deste ano, estão sendo empregados 446 bombeiros militares do Estado, 82 militares da Força Nacional, 233 brigadistas do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), além de militares da Marinha, Exército e Aeron√°utica.

O esforço ainda conta com equipamentos por terra, √°gua e ar: são 11 aeronaves, incluindo Air Tractors do Governo do Estado e do Ibama, helicópteros também do Estado, outros do Exército, e o cargueiro KC-390 da Força Aérea Brasileira. Um avião Cougar, do Exército Brasileiro, um navio patrulha, quatro embarbações e cinco viaturas da Marinha completam a lista.

O comandante do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul, coronel Frederico Reis Pouso Salas, observa que o trabalho de combate ao incêndio se desenvolve de maneira integrada.

"O grande desafio do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso do Sul é a dimensão do território do Pantanal. O bioma pantaneiro tem dimensões gigantes e possui dois grandes desafios. Primeiro a logística com a locomoção no terreno pantaneiro. O segundo é a perman√™ncia do combatente, do homem e da mulher na linha de frente aos inc√™ndios. O reforço das Forças Armadas, por meio do Ministério da Defesa, facilita esses dois grandes desafios, fora o apoio da sociedade que vive na região pantaneira e também da Força Nacional", justifica.


Os Pantanais

O Pantanal sul-mato-grossense est√° dividido em sete sub-regiões: Abobral, Aquidauana, Miranda, Nabileque, Porto Murtinho, Nhecolândia e Paiagu√°s. A microrregião do Abobral tem 2.833 km¬≤, e é a menor de todas, limitando-se ao vale do Rio Abobral e, parcialmente, ao do Rio Negro.

Por ser uma região mais baixa, com apenas 90 metros de altitude, é uma das primeiras a se alargar totalmente durante as cheias, podendo permanecer assim por até seis meses, deixando os pastos parecidos com grandes lagoas, e as sedes de fazendas parecendo pequenas ilhas.

Para o diretor-presidente da Fundtur (Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul), Bruno Wendling, os pantanais de Aquidauana e Miranda, por exemplo, tem vocação para o ecoturismo.

"São regiões com as pousadas, que historicamente trabalham com a conservação do bioma. O turismo l√° est√° acontecendo a pleno vapor pois nesse período do ano é uma das melhores épocas para avistamento de vida selvagem, com diferentes estruturas. Algumas fazendas, inclusive, t√™m projetos de conservação, como é Arara Azul, o Onçafari ou o Projeto de Conservação da Anta. Isso reflete na experi√™ncia que eles entregam ao turista", diz.

O diretor da Fundtur ainda complementa que a Estrada Parque Pantanal ao longo do seu trajeto proporciona cen√°rios incríveis. "Ainda temos os barcos-hotéis e toda a preocupação com a questão da pesca esportiva, do Pesque-Solte, além da utilização de 100% da mão de obra local. Com isso são movimentados mais de 1 mil empregos diretos, sendo essa atividade respons√°veis por uma injeção de milhões de reais por ano na economia local. Esse é o nosso Pantanal, com biomas mais diversos, especialmente, com as pessoas que moram l√°, e que são detentoras dos equipamentos turísticos, especialmente, as fazendas pantaneiras", acrescenta.

J√° o Pantanal de Aquidauana, que leva o mesmo nome do município onde est√°, é porta de entrada do bioma quando se vem da capital, Campo Grande. Essa microrregião possui um dos mais belos ecossistemas do planeta. O município de Miranda também é banhado pelo bioma, que atrai milhares de turistas e admiradores da pesca esportiva. O Pantanal de Miranda é rico em belezas naturais, biodiversidade de fauna e flora.

Distrito do município de Corumb√°, Nabileque est√° localizado abaixo da "Cidade Branca" e é mais um dos 'pantanais'. O Nabileque é um dos primeiros a sofrer as inundações e, por isso, a chegada das primeiras chuvas em outubro j√° viram motivo de preocupação.

O Pantanal de Nhecolândia destaca-se por sua imensa diversidade e é marcada pela presença de baías e salinas. É a única √°rea de todo o Pantanal que apresenta o mosaico de lagoas salinas e de √°gua doce, entremeando cordilheiras com vegetação florestal e, entre estas, corixos e vazantes.

J√° o Pantanal de Paiagu√°s se localiza entre os rios São Lourenço, Taquari e Itiquira. A região de Paiagu√°s é conhecida por apresentar umas das cheias mais intensas do Pantanal, chamando a atenção dos moradores nas épocas de chuva. Seu solo é extremamente arenoso, tornando as atividades típicas da região, como a pecu√°ria, atividade de sustento dos pantaneiros.

Por fim, bem ao sul, est√° localizado o Pantanal de Porto Murtinho, considerada a segunda menor microrregião, fazendo fronteira com o país vizinho, Paraguai.

O secret√°rio executivo de Desenvolvimento Econômico Sustent√°vel da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ci√™ncia, Tecnologia e Inovação), Rogério Thomitão Beretta, contextualiza a vida do homem e mulher pantaneira.

"Todas estas dificuldades citadas em relação a logística e as dimensões do Pantanal sul-mato-grossense, para nós, que não moramos no Pantanal, são muito grandes. Eles passam toda a sua vida, dependendo, exclusivamente, deste ecossistema para tirar o seu sustento. O homem e mulher pantaneira estão l√° h√° mais de 250 anos. Eles t√™m uma cultura j√° de viver naquele local, a cultura da exploração da pecu√°ria de corte, que é feita em perfeita harmonia com a natureza, preservando e produzindo", frisa Beretta, que completa.

"Hoje temos um conceito aqui no estado de que o Pantanal precisa obrigatoriamente ser explorado por homens e mulheres que conhecem o Pantanal e que não vão deixar fazendas abandonadas apenas para aproveitamento ambiental, porque isso a gente sabe hoje que é extremamente prejudicial para a sustentabilidade por aumentar os riscos de inc√™ndio e de abandono dessas √°reas. Temos que valorizar a presença desta comunidde com toda a sua cultura e com toda a sua dedicação e harmonia com o meio ambiente", finaliza.

Luz e Ação

A mulher e o homem pantaneiro estão acostumados com o isolamento humano e longas distâncias, mas o poder público, tanto estadual, federal e municipal, leva o apoio necess√°rio.

Nos últimos dois anos, o projeto Ilumina Pantanal vem mudando a vida de muitos moradores da região. Mapear e atender às populações que vivem na maior planície inundada sempre foi um enorme desafio. As distâncias e o difícil acesso deixaram por décadas muitas comunidades isoladas, sem qualquer tipo de acesso à eletricidade.

O Governo de Mato Grosso do Sul, em parceria com distribuidora Energisa, implantou um sistema de fornecimento de energia por meio de sistemas individuais de geração solar fotovoltaica e armazenamento da energia excedente em baterias de lítio.

É o País Pantanal e sua gente lidando com adversidades e belas paisagens.

Alexandre Gonzaga, Comunicação Governo de MS
Foto de capa: Bruno Rezende
Infogr√°fico: Secom/MS
Interna: Corpo de Bombeiros

Galeria 2 e 3: Bruno Rezende

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