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Entenda o que é PMMA e os riscos do uso em procedimentos estéticos

O polimetilmetacrilato (PMMA) é um componente plástico com diversos tipos de aplicação, tanto na saúde quanto em setores produtivos, a depender da forma de processamento e desenvolvimento da matéria-prima.

Por PH em 07/07/2024 às 09:43:17

O polimetilmetacrilato (PMMA) é um componente pl√°stico com diversos tipos de aplicação, tanto na sa√ļde quanto em setores produtivos, a depender da forma de processamento e desenvolvimento da matéria-prima. O PMMA pode ser encontrado, por exemplo, em lentes de contato, implantes de esôfago e cimento ortopédico. No campo estético, o PMMA pode ser usado para preenchimento cutâneo, em forma semelhante a um gel.

Relatos de complicações relacionadas ao uso do componente em procedimentos estéticos se tornaram mais frequentes no Brasil. Em 2020, uma influencer (influenciadora digital) perdeu parte da boca e do queixo após fazer preenchimento labial com PMMA. Nesta semana, outra influencer morreu após se submeter a um procedimento estético para aumentar os gl√ļteos.

Segundo parentes, ela apresentou um quadro de infecção generalizada em razão da aplicação de PMMA.

Uso e limites de aplicação

No Brasil, o PMMA para preenchimento subcutâneo precisa ser registrado na Ag√™ncia Nacional de Vigilância Sanit√°ria (Anvisa), por se tratar de um produto de uso em sa√ļde da classe IV ou risco m√°ximo. "Somente após a an√°lise técnica, esses produtos são liberados para venda e uso, visando à proteção do paciente e do consumidor", informou a ag√™ncia reguladora.


O componente est√° autorizado para correção de lipodistrofia, um tipo de alteração no organismo que leva à concentração de gordura em algumas partes do corpo, geralmente provocada pelo uso de medicamentos antirretrovirais em pacientes com HIV/aids, e correção volumétrica facial e corporal, uma forma de tratar alterações como irregularidades e depressões no corpo fazendo o preenchimento em √°reas afetadas por meio de bioplastia.

Segundo a Anvisa, a concentração de PMMA em produtos estéticos varia e h√° indicações claras dos locais do corpo onde as aplicações podem ser feitas, como derme profunda, tecido muscular subcutâneo ou em n√≠vel intramuscular. "A dose usada é aquela estritamente necess√°ria para correção de defeitos tegumentares ou da pele. Portanto, depende de avaliação médica", reforçou a ag√™ncia.

Em casos de atrofia facial associada ao HIV/aids, por exemplo, um dos fabricantes de PMMA registrados no país explica que a quantidade necessária varia de 4 a 12 mililitros (ml) para cada lado do rosto. Já em sequelas de poliomielite com atrofia de musculatura da panturrilha, a dose deve ser de cerca de 120ml, implantada de uma vez ou em etapas sucessivas, com 45 dias de intervalo, dependendo da elasticidade da pele de cobertura.

A Anvisa destaca que o PMMA deve ser administrado por profissionais médicos habilitados e treinados para o uso. "Para cada paciente, o médico deve determinar as doses injetadas e o n√ļmero de injeções necess√°rias, dependendo das caracter√≠sticas cutâneas, musculares e osteocartilaginosas de cada paciente, das √°reas a serem tratadas e do tipo de indicação", detalhou a ag√™ncia.

"A Anvisa também esclarece que o produto não é contraindicado para aplicação nos gl√ļteos para fins corretivos. Porém, não h√° indicação para aumento de volume, seja corporal ou facial. Cabe ao profissional médico respons√°vel avaliar a aplicação de acordo com a correção a ser realizada e as orientações técnicas de uso do produto."

Etiqueta de rastreabilidade

A chamada etiqueta de rastreabilidade consiste em um documento com dados como o n√ļmero do registro, códigos, descrição do modelo, lote, razão social do fabricante e/ou importador. O regulamento vigente define que é obrigatório o fornecimento de, no m√≠nimo, tr√™s etiquetas de rastreabilidade, a serem fixadas no prontu√°rio cl√≠nico do paciente, na documentação fiscal que gera cobrança pelo serviço e no documento que deve ser entregue ao paciente.

Segundo a Anvisa, a etiqueta de rastreabilidade é um direito do paciente e deve ser solicitada sempre que o consumidor passar por procedimentos cir√ļrgicos como:

- implantação de um dispositivo card√≠aco ou ortopédico;

- implantes de coluna ou articulações;

- stents coronarianos;

- implantes dent√°rios;

- válvulas cardíacas;

- endopróteses vasculares;

- implantes mam√°rios;

- preenchedores intradérmicos à base de PMMA.

A ag√™ncia reguladora destaca que a etiqueta de rastreabilidade não deve ser confundida com rótulo, instruções de uso ou bula. Trata-se de um documento adicional que deve constar na própria embalagem do produto.

"Mesmo com a exist√™ncia de diversos mecanismos para o controle sanit√°rio dos dispositivos médicos, é importante compreender que podem ocorrer eventos adversos ou queixas técnicas decorrentes do seu uso. Nesses casos, as etiquetas de rastreabilidade constituem importantes instrumentos que permitem a execução de ações por parte da ag√™ncia e do fabricante na busca de soluções."

Serviço ao consumidor

Todos os produtos usados em procedimentos médicos e estéticos em comercialização no Brasil precisam ter registro na Anvisa, órgão respons√°vel pela avaliação da segurança, efic√°cia e qualidade dos itens.


Em caso de d√ļvidas, a orientação é que o consumidor busque um dos canais de atendimento dispon√≠veis no site da Anvisa, para esclarecer questões relacionadas a medicamentos, insumos farmac√™uticos, cosméticos e alimentos, dentre outros.

Alerta

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) elencou as principais intervenções estéticas feitas no Brasil por profissionais não médicos que causam complicações ou mesmo a morte de pacientes. O levantamento inclui aplicação de PMMA no rosto; aplicação de √°cido hialurônico em rinomodelação; lipoenzim√°tica no intuito de eliminar gordura localizada de v√°rias partes do corpo; peeling de fenol contra rugas e flacidez e luz intensa pulsada em melanoma.

De acordo com a SBD, os procedimentos são rotineiramente realizados por dentistas, biomédicos, farmac√™uticos, fisioterapeutas e enfermeiros, dentre outros profissionais que não t√™m "outorga legal para procedimentos invasivos".

No m√™s passado, a entidade, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Pl√°stica (SBCP) apresentaram, durante o I Fórum de Defesa do Ato Médico, um dossi√™ com uma lista de procedimentos estéticos considerados invasivos e a serem realizados apenas por médicos. São os seguintes:

- procedimentos estéticos invasivos que envolvem a aplicação de toxina botul√≠nica, conhecida popularmente como botox;

- preenchedores cutâneos para harmonização facial com √°cidos hialurônico e polil√°tico;

- bioestimuladores de col√°geno;

- PMMA;

- eletrocauterização e exérese de lesões como nevus, verrugas e queloides;- endolaser para tratamento de celulite;

- peelings químicos como o de fenol, usado contra rugas e flacidez.

Fonte: Agência Brasil

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