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Especialistas alertam: hipertensão arterial tamb√©m ocorre na infância

Embora a hipertensão arterial seja doença de maior prevalência em adultos, afetando cerca de 30% da população brasileira, o presidente do Departamento de Cardiologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Jorge Afiune, advertiu que a pressão alta também ocorre na infância.

Por PH em 17/05/2024 às 10:02:22
Divulgação

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Embora a hipertensão arterial seja doença de maior preval√™ncia em adultos, afetando cerca de 30% da população brasileira, o presidente do Departamento de Cardiologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Jorge Afiune, advertiu que a pressão alta também ocorre na infância.

Segundo Afiune, por não ser prevalente em crianças, a doença, às vezes, não é rotineiramente investigada. "Isso pode trazer retardos diagnósticos em menores que tenham problemas que podem ser corrigidos ou, até mesmo, começar tratamentos para permitir que essa hipertensão seja controlada antes de se tornar mais grave no futuro".

Para marcar o Dia Mundial da Hipertensão Arterial, comemorado nesta sexta-feira (17), a diretora médica do Pro Criança Card√≠aca - projeto que cuida de portadores de doenças cardiovasculares em situação de vulnerabilidade - ,Isabela Rangel, alertou pais e profissionais de sa√ļde sobre a importância da detecção precoce e da prevenção da hipertensão arterial em crianças e adolescentes. "É muito importante que haja a conscientização de que criança também pode ter hipertensão arterial e que o diagnóstico deve ser feito precocemente. Toda criança que vai ser avaliada pelo pediatra deve medir a pressão arterial", afirmou Isabela. Essa conduta deve ser feita também no per√≠odo neonatal.

Para ela, a medição da pressão arterial deve ser conduta rotineira nas consultas de crianças e jovens. "Muitos pacientes, às vezes, são atendidos e não é aferida a pressão arterial durante a consulta. Se voc√™ não faz essa medição, muitas vezes a criança j√° tem essa condição que passa desapercebida pelo profissional de sa√ļde porque, com frequ√™ncia, o paciente é assintom√°tico", destacou Isabela Rangel, em entrevista à Ag√™ncia Brasil.

Tipos

A diretora do Pro Criança Card√≠aca explicou que o diagnóstico correto de hipertensão arterial permite uma investigação para saber se a doença é prim√°ria ou secund√°ria. Ela pode ser classificada como prim√°ria, que é multifatorial, onde h√° uma história familiar em geral positiva, associada a fatores ambientais, como obesidade, por exemplo, ou secund√°ria, quando é causada por doenças identific√°veis, como estenose da artéria renal ou coartação da aorta. A partir do resultado dessa investigação, poder√° ser determinado o tipo de tratamento.

De acordo com Isabela, o diagnóstico precoce é fundamental e pode ser feito por meio da an√°lise da pressão arterial em consultas pedi√°tricas de rotina. A hipertensão arterial secund√°ria pode atingir, inclusive, recém-nascidos e, dependendo da gravidade do problema, é preciso atuar nos primeiros dias de vida.

Estatística

Estat√≠sticas nacionais mostram que entre 3% e 15% de crianças e adolescentes brasileiros são afetados pela hipertensão arterial, embora Jorge Afiune avalie que o n√ļmero mais aproximado seria entre 3% e 5%, dependendo da fonte, da população analisada e da preval√™ncia. O aumento do percentual para até 15%, em especial entre os adolescentes, estaria ligado aos fatores de sobrepeso e obesidade, cuja preval√™ncia j√° est√° perto de 25% ou 30%, segundo o pediatra. "É como se a hipertensão fosse a ponta de um iceberg, que é mais complexo e tem a ver com o estilo de vida da nossa sociedade, o que est√° afetando cada vez mais cedo as crianças com as doenças de adulto".

Jorge Afiune esclareceu que o modelo da doença de hipertensão do adulto est√° chegando mais cedo hoje, muito provavelmente pela mudança do estilo de vida da sociedade. Os fatores de risco incluem sedentarismo, sobrepeso, obesidade, excessivo tempo de tela, poucas pol√≠ticas p√ļblicas voltadas ao est√≠mulo de atividades f√≠sicas e ao esporte. Acrescentou que esses são problemas mais ligados às classes sociais média e baixa, porque a classe alta tem a possibilidade de buscar soluções para o problema.

O médico explicou que em crianças abaixo de 3 anos de idade, a medida da pressão arterial não faz parte do exame de todas, mas somente daquelas em que o pediatra tem suspeita de doença card√≠aca, renal e quando se trata de prematuro. Depois dos 3 anos, a orientação da SBP é que a criança mantenha acompanhamento pedi√°trico anual, pelo menos, e durante a consulta a aferição seja feita. "A partir dessa aferição, podemos acender alguns alertas". Ele lembrou que quando uma criança est√° com sobrepeso e apresenta pressão alta, acende um alerta de gravidade maior para a situação. Por isso, recomendou que aferir a pressão pode ajudar o médico a detectar mais cedo uma doença e a fazer intervenção mais r√°pida que, geralmente, é no estilo de vida e na alimentação, antes de medicações.

Fonte: Agência Brasil

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