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Eliminar c├óncer do colo do ├║tero ├ę prioridade da OPAS

O diretor-geral da Organização Pan-americana da Saúde, da Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS), Jarbas Barbosa, disse a eliminação do c├óncer do colo de útero [também chamado de cérvico-uterino e c├óncer cervical] nas Américas é uma das prioridades do seu trabalho na entidade.

Por PH em 07/12/2023 às 19:03:11
Divulgação

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O diretor-geral da Organização Pan-americana da Sa├║de, da Organização Mundial de Sa├║de (OPAS/OMS), Jarbas Barbosa, disse a eliminação do c├óncer do colo de ├║tero [também chamado de cérvico-uterino e c├óncer cervical] nas Américas é uma das prioridades do seu trabalho na entidade. A tarefa, no entanto, enfrenta dificuldades. Segundo ele, com a taxa de incid├¬ncia da doença quase tr├¬s vezes superior à meta de eliminação de quatro em cada 100 mil mulheres, a América Latina e o Caribe estão ainda longe de alcançar a eliminação.

"A eliminação do c├óncer de ├║tero é uma das minhas prioridades como diretor da OPAS. Para este fim, fizemos o relançamento da iniciativa da eliminação de doenças em um esforço robusto para eliminar mais de 30 doenças, incluindo o c├óncer cérvico-uterino nas Américas para o ano de 2030. Esta iniciativa representa importante oportunidade estratégica e pol├şticas para governos, sociedade civil, universidades, setor privado e comunidades trabalharem em conjunto e terem um impacto permanente em sa├║de", apontou durante participação, por meio de v├şdeo, nesta quinta-feira (7), no encontro Vacina e prevenção do c├óncer: v├írios olhares, muitos desafios, para discutir a prevenção e os desafios da vacinação contra o Papilomav├şrus Humano (HPV), o rastreamento organizado, diagnóstico e tratamento do c├óncer do colo do ├║tero.

Jarbas Barbosa informou que o c├óncer de ├║tero é o terceiro mais comum entre as mulheres na região, onde cerca de 60 mil são diagnosticadas todos os anos. "Essa taxa extremamente elevada de c├óncer do colo de ├║tero representa uma falha dos nossos sistemas de sa├║de. Temos evid├¬ncias e ferramentas para prevenir o c├óncer do colo de ├║tero e salvar as vidas das mulheres", disse.

De acordo com o diretor, a pandemia da covid-19 atrasou muito a vacinação e o tratamento contra o HPV. "A pandemia de covid-19 levou a interrupções nos sistemas de sa├║de incluindo a imunização acelerando assim o decl├şnio da cobertura vacinal de muitas doenças evit├íveis pela vacinação, por exemplo, no ano passado nenhum pa├şs das Américas atingiu a meta de 90% de cobertura vacinal contra o HPV, portanto o desafio permanece", apontou.

"Como podemos implantar estratégias não apenas para voltar aonde est├ívamos antes da pandemia, mas ir adiante, fazer melhor e conseguir cobertura vacinal adequada", questionou.

Barbosa contou que h├í mais de 15 anos, as vacinas contra o HPV estão dispon├şveis. Além da imunização, estão à disposição das populações os testes moleculares de HPV e o tratamento ablativo, no entanto, na avaliação dele, o maior desafio tem sido garantir que essas ferramentas sejam acess├şveis e dispon├şveis de forma equitativa para todas as mulheres e meninas, especialmente, entre as populações mais vulner├íveis.

Conforme o diretor, atualmente a OPAS trabalha em estreita colaboração com os pa├şses para elaborar estratégias de melhoria de sua cobertura inclusive por meio da coordenação de campanhas de imunização, das estratégias de planejamento, das alianças da vacinação com o setor da educação para oferecer vacinas nas escolas e auxiliando na transição para esquemas de dose ├║nica, como agora recomendado pela OPAS e OMS.

Apesar do cen├írio de dificuldades, Barbosa destacou avanços que j├í surgiram no combate à doença. "J├í estamos observando melhorias nos programas contra o c├óncer de ├║tero em relação às vacinas contra o HP. Estas j├í estão introduzidas em programas nacionais de 47 pa├şses e territórios nas Américas cobrindo 92% da nossa região. 27 pa├şses realizaram vacinação também em meninos contra o HPV no ano passado, mais da metade de todos os pa├şses que j├í introduziram a vacina contra o HPV", observou.

Dose ├║nica

Uma das medidas que podem agilizar o processo de cobertura vacinal contra o HPV é a aplicação de dose ├║nica, que teve declaração de apoio da OMS e é vista como uma oportunidade para alcançar uma cobertura mais elevada. "Até agora 11 pa├şses das Américas j├í adotaram o esquema de dose ├║nica. Dessa forma parabenizo o Ministério da Sa├║de [do Brasil] pelos esforços para iniciar o caminho da recuperação após impacto negativo produzido pela pandemia", acrescentou.

Antes da pandemia, o Brasil tinha cerca de 67% de cobertura vacinal completa e no ano passado foi reportada uma cobertura de 58% de vacinas contra o HPV. "Estamos confiantes de que o Brasil se recuperar├í e superar├í as suas taxas de cobertura pré pandemia com o compromisso forte do governo federal, do Ministério da Sa├║de, dos governos estaduais, dos governos municipais, vai alcançar sem d├║vida alguma a taxa de vacinação de 90% até 2030 que é a nossa meta", relatou.

Mesmo com a import├óncia da vacinação, o diretor alertou que somente ela não eliminar├í o c├óncer do colo de ├║tero, o rastreamento e o tratamento também são essenciais. "Os programas de rastreamento baseados em citologia estão em vigor na maioria dos pa├şses h├í mais de 40 anos, mas defici├¬ncias nas estruturas laboratoriais, na formação de pessoal e equipamentos, bem como, desafios log├şsticos. As limitações desses testes t├¬m dificultado gravemente a sua capacidade de reduzir a mortalidade por c├óncer do colo de ├║tero", afirmou.

"Pode ser um grande desafio, mas chegou a hora de mudarmos os programas tradicionais de rastreamento baseados em citologia para abordagens mais simples com testes mais eficazes de HPV e tratamento ablativo".

De acordo com o diretor, a OPAS oferece testes de HPV e dispositivos de tratamentos ablativos por meio do seu Fundo Estratégico que apoia os pa├şses fornecendo compras em grande quantidade de produtores qualificados e a um preço acess├şvel independentemente da compra de cada pa├şs.

"Participar dessas compras do Fundo Estratégico é uma demonstração concreta de solidariedade, porque facilita para pa├şses de pequena população poder desfrutar do mesmo preço que um pa├şs de grande população poderia obter negociando com os produtores destes testes. Continuaremos a promover a utilização desse mecanismo subutilizado para aumentar o acesso e a disponibilidade de tecnologias de rastreamento organizado e de tratamento de lesões precursoras", assegurou.

Pa├şses-membros

Conforme explicou, para recolocar a região no caminho certo, a OPAS trabalha em estreita colaboração com pa├şses-membros para introduzir o teste de HPV em serviços de atenção prim├íria em sa├║de.

"Tr├¬s pa├şses t├¬m programas nacionais de rastreamento baseados nos testes moleculares de HPV e v├írios outros estão testando essas novas tecnologias com o objetivo de expandir a sua utilização em n├şvel nacional, mais uma vez parabenizo o Ministério da Sa├║de do Brasil pelo reconhecimento ao trabalho que vem sendo desenvolvido no estado de Pernambuco no projeto de introdução do teste de HPV para rastreamento organizado como pol├ştica p├║blica no pa├şs".

Barbosa elogiou ainda o Ministério da Sa├║de do Brasil pelo recente lançamento da campanha de eliminação do c├óncer do colo de ├║tero pela Secretaria de Sa├║de Ind├şgena (Sesai), o que demonstrou preocupação da pasta em atingir as populações mais vulner├íveis e acometidas por esta doença.

O desenvolvimento de um teste de HPV para o Brasil também é bem-visto por ele, porque mostra o compromisso das partes interessadas em abordar, de forma sustent├ível, uma estratégia de apoiar os esforços de eliminação da doença no Brasil. "Espero que muito em breve possamos ter este teste molecular de HPV produzido no Brasil sendo oferecido pelo Fundo Estratégico da OPAS para todos os pa├şses da região, o que ser├í uma grande contribuição do pa├şs para a eliminação do c├óncer do colo de ├║tero", completou.

"Devido ao alto comprometimento das partes interessadas e à forte vontade pol├ştica no Brasil, tenho certeza de que o pa├şs ser├í capaz de atingir as metas de 90% de cobertura com, pelo menos, uma dose de vacina contra o HPV, 70% de cobertura para testes de HPV em mulheres e 90% de cobertura para tratamento. Esse é o momento de trabalharmos ainda com mais afinco a Opas e o Ministério da Sa├║de do Brasil, todos os componentes do Sistema ├Ünico de Sa├║de do pa├şs, para que possamos avançar com esse grande objetivo de eliminar o c├óncer cérvico-uterino no pa├şs e na região das Américas", concluiu.

A secret├íria de Vigil├óncia em Sa├║de do Ministério da Sa├║de (SVSA/MS), Ethel Leonor Noia Maciel, que representou a ministra N├şsia Trindade no encontro, reforçou que a vacinação contra o HPV e outras doenças é uma prioridade da pasta. A secret├íria destacou a nova metodologia lançada pelo Ministério junto com a OPAS, chamada de microplanejamento, na qual as equipes desenvolveram ações em todos os estados e no Distrito Federal, formando multiplicadores para poder entender quais são as barreiras em cada local para a execução da vacinação no território brasileiro. "Nós repassamos R$ 151 milhões para estados e munic├şpios para que eles pudessem focalizar e trabalhar nessas barreiras espec├şficas. Em alguns lugares essas barreiras eram muito simples, uma caixa térmica, um gerador, um barco, a contratação de pessoal. Cada local teve a oportunidade e o financiamento para que pudesse ultrapassar as barreiras e fazer com que a vacina pudesse chegar onde precisa: no braço da população brasileira", revelou.

A secret├íria lembrou que a vacina contra HPV foi muito combatida e sofreu onda de informações mentirosas, como se aplicação fosse uma iniciação precoce da vida sexual. Ethel destacou ainda o grau de viol├¬ncia contra mulheres e crianças que são estupradas no pa├şs, muitas delas por integrantes do seu n├║cleo familiar. "Nós fizemos mudanças importantes no Programa Nacional de Imunizações colocando essa vacina para v├ştimas de viol├¬ncia sexual", contou.

"Cada vez mais estamos prontos e abertos para colaborar e para que possamos transformar a sa├║de da nossa população porque é isso que todos nós queremos".

Fonte: Agência Brasil

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