Pioneiro nas Am├ęricas, Brasil quer ser refer├¬ncia em sa├║de digital

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e o Ministério da Saúde iniciaram esta semana, em Washington, nos Estados Unidos, a segunda etapa de um projeto de cooperação técnica envolvendo a recém-criada Secretaria de Informação e Saúde Digital.

Por PH em 03/06/2023 às 09:55:58

A Organização Pan-Americana de Sa├║de (Opas) e o Ministério da Sa├║de iniciaram esta semana, em Washington, nos Estados Unidos, a segunda etapa de um projeto de cooperação técnica envolvendo a recém-criada Secretaria de Informação e Sa├║de Digital. Encabeçada por Ana Estela Haddad, a pasta é respons├ível por formular pol├şticas p├║blicas orientadoras para a gestão da sa├║de digital.

Desde janeiro deste ano, a secretaria tem como compet├¬ncia apoiar gestores, trabalhadores e usu├írios do Sistema ├Ünico de Sa├║de (SUS) no planejamento, no uso e na incorporação de produtos e serviços de tecnologia da informação e comunicação – incluindo a chamada telessa├║de, o desenvolvimento de softwares, a integração e a proteção de dados e a disseminação de informações.

De Washington, Ana Estela Haddad conversou com a Ag├¬ncia Brasil sobre a cooperação técnica com a Opas e revelou que o pa├şs pode se tornar uma espécie de centro colaborador em sa├║de digital diante do que chamou de experi├¬ncia pioneira nas Américas.

Na entrevista, ela falou ainda sobre indicadores digitais de sa├║de, Conecte-SUS e os desafios para digitalizar o sistema de sa├║de em um pa├şs com as dimensões do Brasil.

Saiba os principais trechos da entrevista:

Ag├¬ncia Brasil: Qual a import├óncia desse projeto de cooperação com a Opas, que entra na segunda etapa esta semana?

Ana Estela Haddad: A Opas é um parceiro importante, é o braço para as Américas da Organização Mundial da Sa├║de, que estabelece uma certa articulação global, com diretrizes e princ├şpios para todos os seus estados-membros. A gente est├í fazendo um mergulho em todos os principais produtos e projetos que a Opas tem hoje em andamento que podem ter uma interface com a sa├║de digital. Tudo isso vai nos dar a oportunidade de ampliar e aproveitar ao m├íximo o escopo desse termo de cooperação. E essa cooperação é interessante para a gente, mas é interessante também para a Opas. Eles estão nos convidando para nos tornarmos um centro colaborador em sa├║de digital porque a experi├¬ncia do Brasil é pioneira na região das Américas. Eles entendem que, juntos, podemos aprender com essa experi├¬ncia que pode, depois, servir de inspiração e modelo para outros pa├şses da região.

Ag├¬ncia Brasil: Por que construir indicadores para medir a sa├║de digital dos munic├şpios?

Ana Estela Haddad: Quando a gente fala em construir indicadores, a gente não est├í falando de indicadores só para sa├║de digital. Porque o escopo da nossa secretaria é produzir e disseminar informações estratégicas em sa├║de de car├íter geral e, certamente, isso começa pelas pol├şticas priorit├írias do ministério, como a atenção prim├íria, a atenção especializada, a sa├║de da mulher, a sa├║de ind├şgena, a vigil├óncia. São ├íreas que a gente trabalha em parceria com as secretarias do ministério, estabelecendo quais indicadores de monitoramento dessas pol├şticas a gente vai acompanhar.

Agência Brasil: Qual o papel da nova secretaria no atual contexto do Brasil?

Ana Estela Haddad: A secretaria tem dois papéis principais: um papel meio e um papel fim. O papel meio é apoiar os tr├¬s entes federados – o ministério, mas também estados e munic├şpios e toda a composição do Sistema ├Ünico de Sa├║de – para avançar no processo de transformação digital em geral. Claro que a gente tem situações muito diversas. H├í estados mais adiantados, mais atrasados. E h├í especificidades nesse processo de transformação digital. Cabe a nós estabelecer algumas normas e diretrizes a serem seguidas por todos, aquilo que caracteriza as melhores pr├íticas e oferecer cooperação técnica e recursos para que, de forma compartilhada, a gente possa avançar na transformação digital.

Estamos desenvolvendo um projeto para universalizar, por exemplo, a conectividade nas unidades b├ísicas de sa├║de. são 48 mil unidades e a gente tem um pequeno n├║mero, 1,3 mil ou 1,5 mil, que ainda precisa ter conectividade ou melhorar sua conectividade para poder efetivamente entrar num c├şrculo virtuoso de transformação digital, que é o primeiro passo.

Agência Brasil: As tecnologias digitais podem impactar positivamente a saúde?

Ana Estela Haddad: Com certeza, só que isso não é um processo autom├ítico. Não basta decidir usar as tecnologias para que esse impacto seja positivo. Por isso a gente est├í construindo esse percurso. Primeiro, identificar os nossos cr├şticos e pensar num desenho para essas tecnologias. Existe uma série de princ├şpios que a gente precisa seguir, um realinhamento radical. Por exemplo, com relação a dados em sa├║de: de um lado, a gente tem a proteção de dados, que é fundamental e inalien├ível, o direito à proteção dos dados pessoais dos usu├írios. De outro lado, temos a lei de acesso à informação. A gente precisa também disseminar informações estratégicas, tratar os dados, transformar esses dados em informação relevante – para o gestor, para os profissionais de sa├║de que estão na sua atuação cl├şnica, além do próprio cidadão, que tem que desenvolver uma postura de autocuidado com a sua sa├║de e precisa, para isso, de informação baseada em evid├¬ncia de qualidade. Não é um processo autom├ítico.

Ag├¬ncia Brasil: Na pandemia, a transformação digital em sa├║de claramente se expandiu. Como realinhar essa expansão de maneira que evite a exclusão de pessoas?

Ana Estela Haddad: Essa expansão, na pandemia, foi muito intensa, até pela força da necessidade. Foi um movimento mundial. Mas ela também foi pouco planejada porque surgiu a partir de uma necessidade, como foi poss├şvel. Não teve um planejamento ideal, veio de forma, muitas vezes, fragmentada, atendendo a necessidades localizadas, sem pensar o processo de gestão, do cuidado de gestão da rede de atenção de uma maneira mais sist├¬mica. Um dos desafios fundamentais que a gente tem agora é ter um invent├írio e um mapeamento pelo menos da maioria dessas experi├¬ncias. Identificar as experi├¬ncias mais bem sucedidas como modelo e promover um processo de integração das experi├¬ncias existentes. Organização e integração das experi├¬ncias, além, claro, de induzir, fomentar que novas experi├¬ncias sejam implementadas para que a gente expanda aquilo que teve bons resultados. Um bom exemplo é que j├í temos pouco mais de 36 milhões de usu├írios, de pessoas que baixaram o seu Conecte-SUS no celular e que utilizam o aplicativo para suas informações de sa├║de.

Ag├¬ncia Brasil: De que maneira o SUS vai se tornar mais digital e como a população pode se beneficiar desse processo?

Ana Estela Haddad: Os desafios são imensos. Em primeiro lugar, eles incluem o tamanho e a diversidade de situações que a gente vive. Por exemplo: estamos trabalhando e planejando implementar a sa├║de digital no subsistema de sa├║de ind├şgena, que tem uma estrutura completamente separada, porque não est├í estruturada como as regiões de sa├║de que envolvem estados e munic├şpios. Então, uma das questões é que a gente j├í vai ter que planejar isso de forma separada, atendendo diferentes necessidades – desde a infraestrutura, aspectos geogr├íficos, locais que não t├¬m energia elétrica e que voc├¬ precisa de uma solução de conectividade diferenciada. A gente precisa planejar a tecnologia de acordo com o momento e o contexto de cada munic├şpio, estado ou distrito sanit├írio ind├şgena em que estivermos atuando e colaborando. Promover, ao mesmo tempo, o atendimento das necessidades de cada espaço e construir um processo nacional em que todos sejam inclu├şdos é um dos grandes desafios.

Fonte: Agência Brasil

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